quinta-feira, 4 de julho de 2013

A FELICIDADE CONJUGAL.

Pensar que o sexo é o objectivo crucial da relação a dois, é entrar por um campo que pode redundar em graves problemas de relacionamento.
Na realidade, o acto sexual é a culminação do amor, mas este encerra uma complexidade de difícil esquematização. No jogo do amor existem factores de tipo espiritual que conferem um valor primordial ao acto sexual. É certo que pode haver amor sem relações sexuais, mas sem dúvida, é este tipo de contacto que resume de uma forma total a amplitude do amor entre homem e mulher. Para que as relações sexuais possam desembocar em bom porto, é necessário que durem o tempo suficiente, que exista uma atracção mútua entre homem e mulher e sejam observadas as diversas fases eróticas.
Cumpridos estes requisitos, o acto sexual converte-se na consumação ideal das relações do par humano. Na fase estrita de relações física, para que o coito cumpra a sua importante função de união intersexual, devem-se cumprir as fases que em seguida citamos: prólogo erótico, jogo amoroso, coito epílogo.
A CONVERSAÇÃO EROTIZANTE.
Não é possível que o acto sexual se realize de forma cabal se não for precedido de uma conversa minimamente erotizante. Os sentimentos são excitados por meio de palavras adequadas e oportunamente pronunciadas. O êxito de muito “Don Juans” radica não tanto na sua postura física mas antes na sua conversa erótica, iniciada num momento oportuno e canalizada habilmente.
O BAILE E A SUA FORÇA ERÓTICA.
Assim como aquilo que definimos como conversa erotizante, o baile constitui um dos elementos mais eficazes dentro do prólogo erótico capaz de conduzir o par para a concretização do acto sexual. O ritmo de um baile de tendência afrodisíaca provoca efeitos erotizantes na mulher e no homem capazes de os excitar sexualmente. Também a indumentária contribui bastante para o processo erótico, de maneira especial no homem. Uma mulher pode encontrar na forma de vestir uma fonte de excitação para o seu companheiro. A mulher tem a vantagem de realçar os seus atributos físicos, se se veste inteligentemente, até porque nesse caso, muitas vezes basta a sua simples presença, para atrair o homem desejado. É claro que não vale a pena falar de lingerie, nem de todo o conjunto de roupas íntimas femininas que fazem as delícias dos amantes.
FACTORES SOCIAIS E CULTURAIS SUBJACENTES AO ACTO SEXUAL.
Ao colocar este pequeno apontamento sobre a importância do extracto social e o grau de cultura nas relações intersexuais, referimo-nos ao que evidentemente acontece nas sociedades capitalistas dos nossos dias.
É inegável que, tanto para o homem como para a mulher, a classe a que um e outro pertencem, e o seu nível cultural, resulta num elemento que tem importantes conotações com a atracção sexual mútua.
Estas noções são antigas como o próprio mundo. Já foi citado por Vatsvayana, o autor do Kama Sutra, aludindo a velhas sociedades orientais; “Se qualquer homem das quatro castas deseja unir-se a uma donzela que pertença à mesma casta segundo as leis das sagradas escrituras (no matrimónio legal), esta união procura uma sucessão legítima e preserva a sua boa reputação. Além disso, tal união está em harmonia perfeita com as práticas normais da sociedade. Ao contrário, as relações sexuais com mulheres de castas inferiores, expulsas da própria sociedade, cortesãs e mulheres casadas duas vezes, não estão nem recomendadas nem proibidas, já que o prazer é o único objectivo de uma união com tais mulheres”.
Tal como já se salientou, o Kama Sutra inseria-se numa sociedade machista, em que homem era o principal interveniente.
O ORGASMO E O EPÍLOGO DO ACTO SEXUAL.
Quando ocorre a relação sexual, o pénis é introduzido na cavidade vaginal e sucedem-se os movimentos rítmicos do par que excitam de forma crescente as terminações nervosas e sensoriais de ambos.
Á medida que o acto decorre, vai aumentando a tensão nervosa no cérebro e na espinal-medula, até que finalmente se produz o orgasmo, sensação culminante do prazer sexual que no homem é acompanhado de ejaculação do líquido seminal. Os batimentos cardíacos aumentam até ficarem acelerados, assim como a pressão sanguínea. Paralelamente, as glândulas intensificam a sua actividade, os vasos sanguíneos alargam-se, a respiração fica entrecortada e as pupilas dilatam-se. Todo o organismo está em tensão, participando de uma forma ou de outra no acto sexual por excelência. Na união perfeita, igualmente o espírito participa generosa e plenamente na intensidade afectiva do momento.
A excitação sexual não oferece as mesmas características na mulher e no homem. No homem, a excitação alcança muito rapidamente o grau máximo (com uma duração breve e perfeitamente tipificado), enquanto na mulher se desenvolve mais lentamente, prolongando-se por mais tempo.
No homem desaparece a excitação no momento em que se consuma o acto, mas na mulher alonga-se e mantêm-se inclusivamente depois da união sexual.
Tendo em conta esta diferença, o homem, para que o acto sexual se desenrole do modo mais perfeito possível, tem de procurar adaptar-se às características que definem a atitude sexual da mulher.
Geralmente, o homem não necessita de uma excitação preliminar prolongada; contrariamente, a mulher exige um período preparatório mais dilatado, que se explica perfeitamente, tendo em conta os seus órgãos genitais, a psicologia feminina e o papel que representa dentro do contexto social e familiar.
A ERECÇÃO E A POTÊNCIA SEXUAL.
A erecção masculina é um elemento essencial para a consumação do acto sexual. Conheça as condicionantes de que depende essa excitação.
A higiene sexual necessária deve fazer parte dos actos quotidianos, pois o processo mecânico mediante o qual se produz a erecção do pénis é independente da vontade.
A erecção pode originar-se por o individuo ter a bexiga excessivamente cheia. Isto acontece quando as pessoas bebem muito de noite e pela manhã despertam com o pénis entumecido. Isto não determina, como vulgarmente se crê, um grande vigor sexual, mas um fenómeno que obedece exclusivamente a causa extra-sexuais
O consumo imoderado de álcool pode actuar como excitante sexual a princípio, mas acaba por produzir esgotamento no indivíduo. Muita gente associa aos testículos o vigor sexual do homem.
Isso só em parte é verdade, no que se refere à capacidade de fecundação, pois é precisamente nos testículos que se desenvolvem e amadurecem os espermatozóides e se dá a produção de hormonas sexuais.
Mais importante, no que concerne à erecção, é o perfeito funcionamento do sistema nervoso vegetativo, assim como o equilíbrio da influência exercida pelos centros da medula.
Muitas vezes um homem castrado pode ser capaz de realizar um coito, embora jamais possa conceber um novo ser.
O ACTO SEXUAL E A FELICIDADE AO NÍVEL CONJUGAL.
É evidente que uma união sexual perfeita favorece a felicidade do homem e da mulher. Naturalmente, é impossível alcançar essa harmonia só do ângulo sexual – se não houver uma intimidade de raiz espiritual, não existe a menor possibilidade de que o par viva compenetrado e feliz.
É importante, desde logo, a posição dos corpos para a concretização de uma perfeita realização material do coito. Em muitos casos, isto só se consegue com um tempo prudencial de convivência entre o homem e a mulher.
Infelizmente, existe uma infinidade de casos em que a insatisfação sexual produz desavenças entre os amantes. Nas consultas de sexologia cada problema tem de ser examinado ao nível do par com amplo espírito de análise e compreensão mútua.
Muitas vezes não existem mais do que motivos fúteis, equívocos que se desfazem com facilidade.
Pelo contrário, outras vezes, os motivos são graves e requerem a intervenção médica. Há casos em que existem obstáculos orgânicos que impedem a normal realização do coito.
Já no Kama Sutra é referido este facto. “Quando a mulher vê o seu amante extenuado por uma união sexual prolongada – concretiza Vatsvayana – inclusivamente antes que tenha satisfeito o seu desejo, deve ajudá-lo docemente, com o seu consentimento, a deitá-lo de costas e prosseguir com a relação.”
É óbvio que este tipo de procedimento se destinava a verificar se estava ou não tudo bem a nível físico ou até como pretexto para a mulher se apossar do controle da situação.
Neste jogo de sedução entre os amantes, segundo o Kama Sutra, o homem pode adoptar uma atitude activa ou passiva, consoante as preferências sexuais do casal.
O BEIJO.
É uma das mais delicadas e clássicas homenagens eróticas que o homem e a mulher se podem oferecer mutuamente. O beijo goza da difusão e aceitação universais. A atmosfera poética que emana do beijo foi cantada pelos maiores escritores e poetas. Bécquer, poeta do amor, salientou o poder do beijo nas suas famosas “Rimas”.
“Por uma olhadela, um mundo:
Por um sorriso, um céu:
Por um beijo…, eu não sei que te posso dizer por um beijo.”
Cabia a resposta a Gustavo Adolfo, um outro escritor:
- Outro beijo!
O Prémio Nobel da Literatura, Ernest Hemingway descreve magistralmente na sua obra “Em Outro País” uma cena presidida por um beijo:
“Nós olhámo-nos na obscuridade. Encontrei-a muito bonita e apertei a sua mão. Ela não consentiu e eu retive-a com força, rodeei-a com o meu braço:
- Não – disse ela. E eu deixei o meu braço onde estava.
- Sim – disse eu – por favor.
Inclinei-me na obscuridade para a beijar e senti uma queimadura aguda. Ela bateu-me com força no rosto. A sua mão tinha-me alcançado o nariz e os olhos e as lágrimas chegaram-me aos olhos como reflexo.
Mirei-a nos olhos e rodeei-a com o meu braço como tinha feito antes, e beijei-a. Beijei-a com força, mantive-a estreitamente abraçada e tratei de lhe abrir os lábios. Estavam firmemente cerrados. Estava ainda furioso e, enquanto a sujeitava começou a tremer de repente. Mantive-a estreitamente abraçada e pude ouvir os batimentos do seu coração. Os seus lábios abriram-se, a sua cabeça caiu contra a minha mão e depois começou a chorar sobre o meu ombro”.
Há quatro classes de beijos que podemos chamar de clássicos:
·         Ligeiros;
·         Comprimidos;
·         De sucção;
·         Suaves.
Mediante o beijo ligeiro consegue-se despertar o instinto erótico da mulher, excitando o homem ao mesmo tempo.
O beijo comprimido é largo e profundo e é acompanhado de suspiros e lamentos eróticos.
O beijo acompanhado de sucção já foi descrito, em rigor, como o beijo francês. Mas de facto, este beijo muito excitante, dá-se em qualquer parte do corpo.
O beijo suave é delicado e é menos erótico. Temos de falar do beijo selvaticamente apaixonado, que, na realidade, mais do que um beijo é já um mordisco erótico.
Vatsvayana descreve-o perfeitamente no Kama Sutra:
“Todas as partes do corpo podem beijar-se e morder-se, à excepção do lábio superior, o interior da boca e os olhos”.
Há diferentes classes de mordisco amorosos, como por exemplo o mordisco oculto (a pele fica simplesmente enrubescida), o brusco (produz inchaço), o ponto (uma pequena parte da pele mordida apenas pelos dentes), a linha de pontos (quando se fosse pequenas marcas com os dentes umas a seguir às outras), o coral e a jóia (é o mordisco que se faz com os lábios (coral) e os dentes (jóias) ao mesmo tempo, a linha de jóias (quando o mordisco se dá com todos os dentes), a nuvem quebrada (a marca fica assimétrica e é devida à irregularidade dos dentes) e o mordisco de javali (grandes marcas de dentes com locais vermelhos).

Os mordisco eróticos, salientamos o que temos vindo a defender: o amor é uma guerra subterrânea entre os sexos masculino e feminino.

2 comentários:

  1. Muito interessante esse blog,nos faz entender de uma forma clara, as vezes duvidas que temos com relação a esse assunto de total interesse de nossa humanidade.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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