Pensar que o sexo é o objectivo crucial da relação a dois, é
entrar por um campo que pode redundar em graves problemas de relacionamento.
Na realidade, o acto sexual é a
culminação do amor, mas este encerra uma complexidade de difícil
esquematização. No jogo do amor existem factores de tipo espiritual que
conferem um valor primordial ao acto sexual. É certo que pode haver amor sem
relações sexuais, mas sem dúvida, é este tipo de contacto que resume de uma
forma total a amplitude do amor entre homem e mulher. Para que as relações
sexuais possam desembocar em bom porto, é necessário que durem o tempo
suficiente, que exista uma atracção mútua entre homem e mulher e sejam
observadas as diversas fases eróticas.
Cumpridos estes requisitos, o
acto sexual converte-se na consumação ideal das relações do par humano. Na fase
estrita de relações física, para que o coito cumpra a sua importante função de
união intersexual, devem-se cumprir as fases que em seguida citamos: prólogo erótico,
jogo amoroso, coito epílogo.
A CONVERSAÇÃO EROTIZANTE.
Não é possível que o acto sexual
se realize de forma cabal se não for precedido de uma conversa minimamente
erotizante. Os sentimentos são excitados por meio de palavras adequadas e
oportunamente pronunciadas. O êxito de muito “Don Juans” radica não tanto na
sua postura física mas antes na sua conversa erótica, iniciada num momento
oportuno e canalizada habilmente.
O BAILE E A SUA FORÇA ERÓTICA.
Assim como aquilo que definimos
como conversa erotizante, o baile constitui um dos elementos mais eficazes
dentro do prólogo erótico capaz de conduzir o par para a concretização do acto
sexual. O ritmo de um baile de tendência afrodisíaca provoca efeitos
erotizantes na mulher e no homem capazes de os excitar sexualmente. Também a
indumentária contribui bastante para o processo erótico, de maneira especial no
homem. Uma mulher pode encontrar na forma de vestir uma fonte de excitação para
o seu companheiro. A mulher tem a vantagem de realçar os seus atributos físicos,
se se veste inteligentemente, até porque nesse caso, muitas vezes basta a sua
simples presença, para atrair o homem desejado. É claro que não vale a pena
falar de lingerie, nem de todo o
conjunto de roupas íntimas femininas que fazem as delícias dos amantes.
FACTORES SOCIAIS E CULTURAIS
SUBJACENTES AO ACTO SEXUAL.
Ao colocar este pequeno
apontamento sobre a importância do extracto social e o grau de cultura nas
relações intersexuais, referimo-nos ao que evidentemente acontece nas
sociedades capitalistas dos nossos dias.
É inegável que, tanto para o
homem como para a mulher, a classe a que um e outro pertencem, e o seu nível
cultural, resulta num elemento que tem importantes conotações com a atracção
sexual mútua.
Estas noções são antigas como o
próprio mundo. Já foi citado por Vatsvayana, o autor do Kama Sutra, aludindo a
velhas sociedades orientais; “Se qualquer homem das quatro castas deseja
unir-se a uma donzela que pertença à mesma casta segundo as leis das sagradas
escrituras (no matrimónio legal), esta união procura uma sucessão legítima e
preserva a sua boa reputação. Além disso, tal união está em harmonia perfeita
com as práticas normais da sociedade. Ao contrário, as relações sexuais com
mulheres de castas inferiores, expulsas da própria sociedade, cortesãs e
mulheres casadas duas vezes, não estão nem recomendadas nem proibidas, já que o
prazer é o único objectivo de uma união com tais mulheres”.
Tal como já se salientou, o Kama
Sutra inseria-se numa sociedade machista, em que homem era o principal interveniente.
O ORGASMO E O EPÍLOGO DO ACTO
SEXUAL.
Quando ocorre a relação sexual, o
pénis é introduzido na cavidade vaginal e sucedem-se os movimentos rítmicos do
par que excitam de forma crescente as terminações nervosas e sensoriais de
ambos.
Á medida que o acto decorre, vai
aumentando a tensão nervosa no cérebro e na espinal-medula, até que finalmente
se produz o orgasmo, sensação culminante do prazer sexual que no homem é
acompanhado de ejaculação do líquido seminal. Os batimentos cardíacos aumentam
até ficarem acelerados, assim como a pressão sanguínea. Paralelamente, as
glândulas intensificam a sua actividade, os vasos sanguíneos alargam-se, a
respiração fica entrecortada e as pupilas dilatam-se. Todo o organismo está em
tensão, participando de uma forma ou de outra no acto sexual por excelência. Na
união perfeita, igualmente o espírito participa generosa e plenamente na
intensidade afectiva do momento.
A excitação sexual não oferece as
mesmas características na mulher e no homem. No homem, a excitação alcança
muito rapidamente o grau máximo (com uma duração breve e perfeitamente
tipificado), enquanto na mulher se desenvolve mais lentamente, prolongando-se
por mais tempo.
No homem desaparece a excitação
no momento em que se consuma o acto, mas na mulher alonga-se e mantêm-se
inclusivamente depois da união sexual.
Tendo em conta esta diferença, o
homem, para que o acto sexual se desenrole do modo mais perfeito possível, tem
de procurar adaptar-se às características que definem a atitude sexual da
mulher.
Geralmente, o homem não necessita
de uma excitação preliminar prolongada; contrariamente, a mulher exige um
período preparatório mais dilatado, que se explica perfeitamente, tendo em
conta os seus órgãos genitais, a psicologia feminina e o papel que representa
dentro do contexto social e familiar.
A ERECÇÃO E A POTÊNCIA SEXUAL.
A erecção masculina é um elemento
essencial para a consumação do acto sexual. Conheça as condicionantes de que
depende essa excitação.
A higiene sexual necessária deve
fazer parte dos actos quotidianos, pois o processo mecânico mediante o qual se
produz a erecção do pénis é independente da vontade.
A erecção pode originar-se por o
individuo ter a bexiga excessivamente cheia. Isto acontece quando as pessoas
bebem muito de noite e pela manhã despertam com o pénis entumecido. Isto não
determina, como vulgarmente se crê, um grande vigor sexual, mas um fenómeno que
obedece exclusivamente a causa extra-sexuais
O consumo imoderado de álcool
pode actuar como excitante sexual a princípio, mas acaba por produzir
esgotamento no indivíduo. Muita gente associa aos testículos o vigor sexual do
homem.
Isso só em parte é verdade, no
que se refere à capacidade de fecundação, pois é precisamente nos testículos
que se desenvolvem e amadurecem os espermatozóides e se dá a produção de
hormonas sexuais.
Mais importante, no que concerne
à erecção, é o perfeito funcionamento do sistema nervoso vegetativo, assim como
o equilíbrio da influência exercida pelos centros da medula.
Muitas vezes um homem castrado
pode ser capaz de realizar um coito, embora jamais possa conceber um novo ser.
O ACTO SEXUAL E A FELICIDADE AO
NÍVEL CONJUGAL.
É evidente que uma união sexual
perfeita favorece a felicidade do homem e da mulher. Naturalmente, é impossível
alcançar essa harmonia só do ângulo sexual – se não houver uma intimidade de
raiz espiritual, não existe a menor possibilidade de que o par viva
compenetrado e feliz.
É importante, desde logo, a
posição dos corpos para a concretização de uma perfeita realização material do
coito. Em muitos casos, isto só se consegue com um tempo prudencial de
convivência entre o homem e a mulher.
Infelizmente, existe uma
infinidade de casos em que a insatisfação sexual produz desavenças entre os
amantes. Nas consultas de sexologia cada problema tem de ser examinado ao nível
do par com amplo espírito de análise e compreensão mútua.
Muitas vezes não existem mais do
que motivos fúteis, equívocos que se desfazem com facilidade.
Pelo contrário, outras vezes, os
motivos são graves e requerem a intervenção médica. Há casos em que existem
obstáculos orgânicos que impedem a normal realização do coito.
Já no Kama Sutra é referido este
facto. “Quando a mulher vê o seu amante extenuado por uma união sexual
prolongada – concretiza Vatsvayana – inclusivamente antes que tenha satisfeito
o seu desejo, deve ajudá-lo docemente, com o seu consentimento, a deitá-lo de
costas e prosseguir com a relação.”
É óbvio que este tipo de
procedimento se destinava a verificar se estava ou não tudo bem a nível físico
ou até como pretexto para a mulher se apossar do controle da situação.
Neste jogo de sedução entre os
amantes, segundo o Kama Sutra, o homem pode adoptar uma atitude activa ou
passiva, consoante as preferências sexuais do casal.
O BEIJO.
É uma das mais delicadas e
clássicas homenagens eróticas que o homem e a mulher se podem oferecer
mutuamente. O beijo goza da difusão e aceitação universais. A atmosfera poética
que emana do beijo foi cantada pelos maiores escritores e poetas. Bécquer,
poeta do amor, salientou o poder do beijo nas suas famosas “Rimas”.
“Por uma olhadela, um mundo:
Por um sorriso, um céu:
Por um beijo…, eu não sei que te
posso dizer por um beijo.”
Cabia a resposta a Gustavo
Adolfo, um outro escritor:
- Outro beijo!
O Prémio Nobel da Literatura,
Ernest Hemingway descreve magistralmente na sua obra “Em Outro País” uma cena presidida por um beijo:
“Nós olhámo-nos na obscuridade.
Encontrei-a muito bonita e apertei a sua mão. Ela não consentiu e eu retive-a
com força, rodeei-a com o meu braço:
- Não – disse ela. E eu deixei o
meu braço onde estava.
- Sim – disse eu – por favor.
Inclinei-me na obscuridade para a
beijar e senti uma queimadura aguda. Ela bateu-me com força no rosto. A sua mão
tinha-me alcançado o nariz e os olhos e as lágrimas chegaram-me aos olhos como
reflexo.
Mirei-a nos olhos e rodeei-a com
o meu braço como tinha feito antes, e beijei-a. Beijei-a com força, mantive-a
estreitamente abraçada e tratei de lhe abrir os lábios. Estavam firmemente
cerrados. Estava ainda furioso e, enquanto a sujeitava começou a tremer de
repente. Mantive-a estreitamente abraçada e pude ouvir os batimentos do seu
coração. Os seus lábios abriram-se, a sua cabeça caiu contra a minha mão e
depois começou a chorar sobre o meu ombro”.
Há quatro classes de beijos que
podemos chamar de clássicos:
·
Ligeiros;
·
Comprimidos;
·
De sucção;
·
Suaves.
Mediante o beijo ligeiro
consegue-se despertar o instinto erótico da mulher, excitando o homem ao mesmo
tempo.
O beijo comprimido é largo e
profundo e é acompanhado de suspiros e lamentos eróticos.
O beijo acompanhado de sucção já
foi descrito, em rigor, como o beijo francês. Mas de facto, este beijo muito
excitante, dá-se em qualquer parte do corpo.
O beijo suave é delicado e é
menos erótico. Temos de falar do beijo selvaticamente apaixonado, que, na
realidade, mais do que um beijo é já um mordisco erótico.
Vatsvayana descreve-o
perfeitamente no Kama Sutra:
“Todas as partes do corpo podem
beijar-se e morder-se, à excepção do lábio superior, o interior da boca e os
olhos”.
Há diferentes classes de mordisco
amorosos, como por exemplo o mordisco oculto (a pele fica simplesmente
enrubescida), o brusco (produz inchaço), o ponto (uma pequena parte da pele
mordida apenas pelos dentes), a linha de pontos (quando se fosse pequenas
marcas com os dentes umas a seguir às outras), o coral e a jóia (é o mordisco
que se faz com os lábios (coral) e os dentes (jóias) ao mesmo tempo, a linha de
jóias (quando o mordisco se dá com todos os dentes), a nuvem quebrada (a marca
fica assimétrica e é devida à irregularidade dos dentes) e o mordisco de javali
(grandes marcas de dentes com locais vermelhos).
Os mordisco eróticos, salientamos
o que temos vindo a defender: o amor é uma guerra subterrânea entre os sexos
masculino e feminino.
Muito interessante esse blog,nos faz entender de uma forma clara, as vezes duvidas que temos com relação a esse assunto de total interesse de nossa humanidade.
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